8.12.03
Na vida, duas coisas são certas: impostos e...
- Você tem hora?
- Nove e meia, o nome é José Abernaz.
- Ah sim. O doutor Marcos vai chamá-lo num minuto.
Sentou-se pela última vez naquela salinha de espera branca.
- Sr. José?
- Sou eu.
- Pode entrar, por favor.
- Como vai, doutor?
- Bem, obrigado. Mas tenho sentido uma dor nas costas.
- Use os chás que lhe recomendei.
- Ah, sim, farei isso.
- Tenho uma péssima notícia para você.
- O que aconteceu?
- Tenho apenas mais 10 minutos de vida.
- Certo...
- Tem algo que você queira saber antes que eu me vá?
- Sim, sempre quis saber tantas coisas... existe vida após a morte?
- É o que eu vou descobrir.
- O ser humano tem jeito?
- Possivelmente não, mas não custa manter a fé na humanidade.
- Você vai sentir dor?
- Creio que não. Minha morte será fulminante.
- Você acredita em reencarnação?
- Tanto quanto acredito na virgindade de cantoras-mirins
- Mas, se acreditasse, você gostaria de voltar como o quê?
- Um bule talvez, ou mesmo uma jaguatirica.
- O que é a felicidade?
- Pastel de feira com caldo de cana.
- Quem somos? Para onde vamos?
- Acho que somos meros joguetes nas mãos de um Deus todo-poderoso. Você eu não sei, eu estou indo para o limbo.
- E o que você dirá quando vir Deus?
- Direi "como vai?", é claro. Minha mãe me ensinou boas maneiras.
- Melhor você parar. Tem apenas um minuto.
Sem fazer-se de rogado, José cai de cara na mesa do médico. Fulminante é pouco.
- Enfermeira! Por favor, venha retirar o corpo da minha mesa.
O médico continua seu trabalho.
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