2.11.03
Primeiro Capítulo
- Então, é só mandar o dinheiro pra essa conta aqui e tá tudo certo?
- Isso, deposita, porque nós precisamos pagar algumas taxas do governo. Mas logo depois, vai estar tudo certo e você recebe sua parte rapidinho.
- Que ótimo! Então tá, me dá uma meia hora, vou até o banco porque depósito internacional não dá pra fazer na Internet.
- Sem problema. Liga pro Ndagour quando tiver feito.
- Beleza.
Quando Sálvio foi ao banco o gerente olhou para ele com um jeito engraçado, quase com pena, quase com compaixão.
- O senhor quer então mandar seis mil reais para esta conta na Nigéria?
- Isso. No nome dessa pessoa aí...
- Esse Djanagornou Achan?
- Ou isso.
- O senhor está sendo chantageado?
- Como assim?
- É que, sabe, mandar dinheiro pra Nigéria? É bem estranho.
- E o senhor lá sabe o que está falando? O povo nigeriano é muito esforçado e oprimido pelos donos de terras brancos, que tiram todos os direitos de quem nasceu naquela terra abençoada!
- O senhor já esteve lá?
- Não, mas meu amigo Ndagour já me contou tudo sobre o lugar.
- Bom, se o senhor diz que está tudo bem, então... está feito. Deve cair na conta em 24 horas.
- Ok, obrigado. Tenha um bom dia.
- Um bom dia. E boa sorte.
Sálvio saiu do banco feliz. Ia entrar numa grana séria. E nem precisou se esforçar. Seu pai estava errado. Trabalho enobrece, mas só a Nigéria enriquece! Ndagour era um cara muito legal, esclarecido, sabia que Sávio só estava pensando na grana. No começo, teve medo de acharem que ele queria se envolver na libertação do país, ir para a frente de batalha, essas coisas. Sávio era um pacificista. Ou algo assim.
Ligou para Ndagour, seu contato em Abuja (a capital) e melhor amigo. Sávio falava inglês e Ndagour também. Tinham muito em comum, pensava o rapaz. Ele gostava de salsa e mambo, Ndagour também. Ele se interessava por dolomitas, assim como o nigeriano. Enfim, eram almas gêmeas, e, coincidentemente, também eram parceiros de negócios. Nada melhor do que fazer negócios com alguém em quem se pode confiar.
Ndagour atendeu o telefone em yoruba, a língua que usava com sua família e amigos. Era de um grupo bastante purista que achava que o inglês não devia ser a língua oficial do país. Tinha orgulho de suas raízes.
- Ndagour? Depositei o dinheiro, avisa o Dja... Djo... Achan, ok?
- No problemo. Já vamos agilizar as taxas governamentais. Você me passa um fax com seus dados bancários?
- Passo sim. O que você precisa?
- Ah, número da conta, da agência, código do banco, senha do seu cartão de débito, essas coisas.
- Precisa da senha também?
- É, aqui na Nigéria você precisa da senha pra validar depósitos em certas contas internacionais...
- Ah, claro. Nossa, o mercado internacional é tão diferente!
- É isso aí, meu amigo, e quem sabe em breve você não está investindo nele?
- Se eu vou mesmo investir, preciso mudar a senha...
- Por quê?
- Minha senha atual é "ursinho"...
- Ahn... ok... ótima senha. Deve combinar com o número do cartão de crédito.
- Não, porque o do cartão de crédito é 5390 2744 2745 1120.
- E quando expira esse?
- Em dezembro agora. Por quê?
- Ah, curiosidade. O meu expira na mesma data, não é estranho?
- É quase como se fôssemos gêmeos!
- Eheh, realmente!
- Enfim, vou te passar aquele fax. Preciso desligar porque minha mãe está chegando.
- Tudo bem, fico no aguardo.
Sávio desligou e ouviu sua mãe abrindo a porta da frente. Era uma senhora de uns 75 anos, simpática, envelhecida, mas ainda bastante ativa. Jogava bocha, dirigia para a praia com algumas amigas duas vezes por mês e sempre bebia sua dose noturna de vodka.
- Tava falando inglês, filho? Com quem?
- Inglês? Não, mãe, era a TV. Tava passando seriado.
- Ah, você e esses seriados. Não tem um que preste.
- Mãe, não implica. Como você é irritante.
- Só estou falando, filhinho. Aliás, você já arrumou seu quarto?
- Ainda não mãe...
- Então arruma, vai.
- Tá bom, mãe...
Sávio tem 32 anos.
Mais tarde, depois de ter arrumado sua cama, ajudado a colocar a mesa do jantar, lavado atrás das orelhas, escovado os dentes e posto seu pijama, Sávio resolve entrar na Internet para saber como andam seus investimentos nigerianos. Ele faz parte de um grupo de discussão (indicado por Ndagour, claro) de investidores em projetos africanos.
O primeiro e-mail que ele recebe é um relato de um senhor inglês, professor universitário, que estava ajudando uma jovem família da Suazilândia a recuperar o dinheiro da herança do pai das crianças, assassinado durante uma disputa de terras com o governo do país.
O tom geral dos participantes era de alegria. A sensação de estar se envolvendo com uma causa importante, de estar ajudando a estabelecer laços entre dois países tão distantes como seu país de origem e um país africano. E, claro, ganhando uma bolada de dinheiro no processo. Uma pena que as pessoas nunca ficavam muito tempo na lista, sempre sumiam, nem davam tchau.
Sávio se sentia particularmente felizardo, pois ele estava ajudando a esposa de um líder nigeriano assassinado num complô internacional. Ndagour era o filho desse líder. E seu melhor amigo. Sávio já era cosmopolita. Tinha amigos influentes. O que mais podia querer?
- Ei, Sávio, você tá aí?
A pergunta vinha pelo ICQ. Era um de seus colegas de lista de discussão, um australiano chamado Drew.
- Ei, Drew, tudo bom com você?
- Mais ou menos. Você tá ocupado?
- Não, pode falar.
- É o seguinte. Minha ex-mulher esteve aqui hoje. Ela veio perguntar para onde fora os vinte mil que tínhamos em nossa conta conjunta.
- E você explicou pra ela?
- Expliquei. Ela ficou furiosa, disse que eu era um idiota e que isso era um golpe muito velho.
- E você explicou pra ela?
- Expliquei. Falei que ela não estava por dentro dos últimos acontecimentos, que não estava a par do que estava acontecendo na Libéria, da saída daquele tirano Charles Taylor. Mas ela disse que ia me processar por desperdiçar o dinheiro da faculdade da Sammy.
- E você explicou pra ela?
- Expliquei. Mas ela não acredita que eu vá ganhar cinqüenta vezes o valor que estou usando para ajudar aqueles pobres liberianos. E, de mais a mais, a Sammy ainda tem oito anos, pra que ela vai precisar daquele dinheiro agora?
- Minha mãe também não entende. Por isso nem contei.
- E agora, o que eu faço?
- Não perca a fé. A África ainda virá para ajudá-lo. Aí sua ex vai ter que engolir todos esses desaforos.
- Puxa, cara, obrigado mesmo. Eu tava perdendo as esperanças. Afinal, já faz cinco meses, comecei a achar que ela podia estar certa.
- Não pense assim. Você acha que é fácil tirar do país vinte e cinco milhões de dólares? Demora, claro.
Sávio desligou o computador. Já era meia-noite e ele devia estar na cama. Mas se sentia feliz. Era um evangelizador. Achou algo em que acreditar e ficava feliz em poder dividir tantas possibilidades com boas almas como Drew.
No dia seguinte, esperou sua mãe sair para o supermercado e conectou-se à Internet. Precisava ver como andava seu esquema de ganhar dinheiro sem sair de casa. Diziam que o melhor era deixar o computador rodando o tempo todo, conectado à Internet, mas como só tinha uma linha de telefone, ficava complicado.
- Genial! Ganhei 2 centavos só naquelas quatro horas de Internet de ontem! Isso aqui é mesmo uma mina de ouro.
E-mail de Ndagour. Dizia que o processo estava quase completo e que talvez ele precisasse ir até a Nigéria para completar a trama. As possibilidades o excitaram ainda mais. Ir à África! Nunca tinha pensado na possibilidade.
Consultou sua conta no banco e viu que, após o depósito da conta do Achan, ainda tinha disponíveis 41 mil reais. Mais do que suficiente para chegar até a Nigéria.
O e-mail de Ndagour explicava onde se hospedar, que vôo tomar, quem procurar. Pensou no que sua mãe ia achar. O dinheiro que estava naquela conta era o que sobrara da herança de seu pai, após comprarem a casa onde moravam hoje e um carro para dona Mariana. Sávio tinha emprego. Trabalhava três vezes por semana num hospital da zona sul, como assistente de enfermeiro. Basicamente, ele cortava esparadrapo e fazia compressas de água fria. Dona Mariana recebia a pensão de seu segundo marido, ainda vivo, e era mais do que suficiente para pagar as despesas da casa, mas fazia questão de que Sávio trabalhasse, para aprender o valor do dinheiro.
Sávio decidiu tentar a sorte. Entrou no ICQ e conversou com Drew novamente, contando o que ia fazer.
- Então, Ndagour me pediu para ir até lá.
- Uau! Você vai se envolver mesmo nos assuntos!
- É... exatamente disso que estou com medo. Será que vão me botar uma arma na mão e me pedir para lutar pela liberdade deles?
- Ah, acho que não. E, se pedirem, diga que você não pode, que é contra sua religião.
- Hummm... boa idéia...
- Mas estou muito feliz por você. Se eu digo pra Sandie que estou indo para a Libéria ajudar a população é capaz dela me esfaquear.
- Um dia chega sua vez, cara. Torce por mim.
Não teve coragem de contar à sua mãe para onde ia. Sabia que a velha ia ficar preocupada, que ia querer o telefone de Ndagour e de onde mais ele fosse estar. Disse que ia à praia com alguns colegas de trabalho.
- Mas quantos dias você vai ficar?
- Ah, uns 10, 15, não sei ainda.
- Mas e o seu trabalho?
- Deram férias coletivas.
- Mas e os doentes?
- Eles também estão de férias coletivas, mãe, não enche, tá?
- Ai, filhinho, você é tão ranzinza...
- Bênção, mãe, tou indo.
- Se cuida filho, e não deixa dirigirem muito rápido. Me liga assim que chegar. Você tá levando seu cobertorzinho especial?
- Tou mãe...
- Então vai com Deus.
Sávio saiu em direção ao aeroporto, de ônibus. A viagem transcorreu normalmente, com todos os amendoins e refrigerantes de praxe. Eram 12 horas de viagem, mas Sávio mal percebeu. Nunca tinha andado de avião, embora já tivesse ido até a Venezuela. Divertiu-se com os filmes de bordo, com a cabine do piloto e tendo longas conversas com as aeromoças sobre os procedimentos de emergência. Adorava a parte em que elas indicavam as saídas com as mãos.
No aeroporto de Abuja, um senhor de uns 50 anos segurava uma placa com o nome de Sávio escrito à mão. Tinha cara de poucos amigos.
- Oi, você deve ser o Dagogo Osojo.
- Eu mesmo. Você é o Sávio?
- Isso.
- Então venha comigo.
Saíram do aeroporto, Sávio carregando sua mochila de viagem, e entraram num jipe que estava estacionado à frente da porta, já com o motor ligado e um motorista à espera.
- Quando eu encontro o Ndagour?
- Quem?
- O Ndagour, meu amigo, o que me falou para vir aqui.
- Que Ndagour, meu filho. Você trouxe a grana?
- Trouxe, claro. Mas o Ndagour disse que eu deveria entregá-la a ele.
- Mas as coisas mudaram. Me dê a grana. A situação é urgente.
- Mas, o Ndagour...
Foi interrompido por um soco que tirou alguns dentes do lugar. O velhinho o atingira em cheio na mandíbula.
- Cala a boca, moleque. Passa o dinheiro logo, se não quiser piorar a situação.
Sávio entregou o dinheiro, que levava numa pochete de couro, em sua cintura. Vinte mil reais, trocados em dólares.
- Só isso?
- Era o que eu tinha. O Ndagour entendeu e disse que não tinha problema.
- Pára com Ndagour, idiota! Você não entendeu ainda? Ele não existe.
- Como assim! O senhor está pirando! Com todo respeito à história de seu pais e a todo o sofrimento, mas você está louco. Eu falei anteontem com ele, marcamos de tomar um chope depois de tratar dos negócios.
- Bom, quanto mais burro, melhor. Ademola, toca para o local.
- Claro, chefe.
Sávio estava assustado. Onde estava Ndagour quando mais precisava dele. Amigos não deixam outros amigos na mão. Ainda mais quando um deles está num país desconhecido. Sávio foi vendado até chegarem ao local. Era uma casa nos limites da cidade, grande, espaçosa, com um portão maior que a casa inteira em que Sávio morava.
- Entre. O chefe quer dar uma palavrinha com você.
- Chefe?
- É, panaca, o "Ndagour".
- Eu falei pra você que ele estava na história! Ele que me escreveu, pedindo ajuda!
- Ok, claro.
Na sala suntuosa, decorada com centenas de tapeçarias com jeito de caras, Um homem de quase 40 anos estava sentado em um sofá, esperando seus visitantes. Tinha jeito de homem de negócios.
- Então esse é o idiota brasileiro?
- Ndagour?
- Yakubu Lucas para você. Ndagour é só um nom-de-net.
- Nom de quê?
- Esquece. Você trouxe o dinheiro combinado?
- Mas, Ndagour, porque essa violência toda? Dagogo foi extremamente indelicado comigo. Veja meus dentes!
Abriu a boca o mais que podia, pra mostrar o espaço onde faltavam um ou dois molares.
- Ok, já vi o suficiente. Dagogo, vai com calma.
- Mas e como vão as coisas? E sua coleção de dolomitas? É tão bom conhecê-lo finalmente!
- Ahan. Dagogo, leve-o daqui. Ponha com os outros.
- Outros quem?
Mas ele não teve tempo para uma resposta. Com o cano de um revólver, Dagogo empurrou-o em direção à porta lateral, que dava numa escada. Ia dar no porão.
Foi jogado lá dentro, sem sua mala, sem nada. Sem passaporte, sem passagem de volta. Quando acostumou seu olhar à escuridão do lugar, viu que não estava só.
- Oi, você é de onde?
- Brasil. O que está acontecendo aqui?
- Seja bem vindo. Aqui é nosso lar. E será o seu também, daqui pra frente.
- Hein? Como assim? Eu vou falar com Ndagour. Deve estar acontecendo um mal-entendido.
- Ndagour. Nome curioso. Para mim, ele disse que se chamava Ouagadougo.
- E para mim, Sulu Azode.
A terceira voz saiu de uma sombra, parecia vinda do nada. Seu dono veio até a fraca luz de lamparina e se apresentou.
- Meu nome é Jackson Farley, sou de Nova York.
- Onde fica isso?
- Nos Estados Unidos da América, idiota.
- Ah. Lá eu só conheço a Disney.
- Dane-se. Quem é você?
- Eu sou o Sávio. E você aí, quem é?
- Sou o Hermann. Sou austríaco.
- Austríaco? De onde?
- De Vienna.
- E Vienna fica onde?
- Na Áustria.
- E onde fica a Áustria.
- Na Europa?
- Não sei. É na Europa?
- Sim, seu idiota, é na Europa!
- Ah, ok. Não precisa ser grosso.
Os dois residentes começaram a achar que Sávio era um espião mandando para enlouquecer os dois, que até o momento tinham se recusado a dar números de telefones de parentes que os nigerianos pudessem chantagear.
- Suas táticas são boas, mas não vão funcionar. Já somos vacinados.
- Contra raiva?
- Ele insiste, Jack. Será que algum dia vão mandar alguém com miolos?
- Espero que não.
Sávio não estava entendendo mais nada.
- Vocês podem me explicar o que eu estou fazendo aqui?
- Como se você não soubesse, espião! Vamos, conte o que está acontecendo lá em cima! Quem vocês pegaram dessa vez? Quem é o próximo idiota a cair nas mãos de Lucas?
- Lucas? O Ndagour?
- Ahhh! Hermann! Ele quer nos deixar loucos. Ele parece ser melhor que os anteriores.
- Quem é Ndagour?
- É meu amigo, o que mora aqui.
- Corta essa, meine freund. Não vamos cair nesse papo. O que eles querem de nós agora? Não vamos dar nomes nem números!
- Que diabos está acontecendo! Por que nós estamos aqui?
- Ele quer nos confundir. Jack, rápido, a corda!
Com um movimento rápido, Jack prendeu Sávio em um pedaço de corda, o qual ele atou a uma cadeira extremamente empoeirada, como tudo o mais por ali. Ficaram observando-o por algum tempo.
- Você diz que veio do Brasil, certo? Então responda algumas perguntas? Qual é o principal feriado brasileiro?
- Hummm... Carnaval? Não, é o dia de Tiradentes! Embora eu goste mais do Carnaval.
- Ok... ele está bem informado, Hermann.
- Diga o nome dos jogadores da seleção convocados para a Copa de 2002.
- Ah, essa é fácil. Ronaldinho, Ronaldo, Roberto Carlos, Cafu... ahn... deu branco.
- Puxa, Hermann, tou começando a achar que ele é mesmo brasileiro.
- E se ele é brasileiro então ele deve ser mais uma vítima.
- Puuuuuuuutz, que merda!
Desamarraram Sávio e pediram mil desculpas, em alemão, inglês e até num arremedo de português que estava mais para espanhol.
- Eles têm mandando tantos espiões aqui pra acabar conosco, pensamos que você fosse mais um deles.
- Quem quer acabar com vocês?
- O maldito Lucas! Ele quer nossa grana!
- Ah, mas é para uma boa causa! E vocês vão receber...
- Cinqüenta vezes o que precisarmos emprestar. Sim, nós já ouvimos essa história.
- E vocês estão duvidando? Vocês nunca ouviram as histórias de quem se deu bem?
- Acorda, idiota! Ninguém nunca se deu bem. Isso é tudo mentira.
Sávio se recusava a compactuar com aquelas idéias absurdas. Precisava falar com Ndagour e assegurar a ele que aqueles dois homens não estava conseguindo colocar coisas malucas em sua cabeça.
- Deixa, Jack, eventualmente ele vai cair em si. Lembra de quando você chegou aqui? Estava tão desiludido quanto ele.
- É verdade. A gente põe tanta fé na amizade e depois descobre que era tudo uma farsa. Que triste vida.
Ficaram quietos e Sávio foi até a porta do porão. Estava trancada. Bateu para ver se alguém aparecia.
- Não adianta bater. Eles só virão daqui umas 24 horas. Vão esperar você ficar faminto e sedento.
- Tá bom, eu espero.
Sávio sentou-se na cadeira da corda e esperou. E esperou. E esperou mais um pouco. Segundo seus cálculos, estava lá desde as duas da tarde e já eram onze da noite. A fome estava apertando, assim como a vontade de ir ao banheiro.
- Ahn, rapazes, onde fica o toalete?
- Tem isso aqui não. Mas você pode usar aquela latinha em cima da mesa. Eles levam embora com o lixo, pela manhã. Ou pela tarde. Ou quando lembram que vir nos alimentar.
A situação piorava a cada minuto e Sávio só conseguia pensar em sua pobre mãe, sozinha, jogando bocha e pensando que seu filho estava a salvo, com seu cobertorzinho especial, numa praia qualquer do litoral norte.
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