13.9.03

No ponto do ônibus



- Cara dama, eis aqui meu cartão.
- Cartão? Mas nem é meu aniversário. E quem é você, tio?
- Estou encantado com sua beleza. Meu nome é Epaminondas. E sua graça?
- Graça? Minha graça? Fica longe dela!
- Desculpe se não me faço entender, quis perguntar seu nome.
- Você é esquisito, hein. Quer meu nome pra quê? Não fiz nada.
- Gostaria apenas de saber quem é este anjo a quem me dirijo.
- Tá, eu sou a Lena.
- Lena, como a grande Helena de Tróia. Que mimo!
- Tróia? Ei! Eu não tenho nada a ver com aquele puteiro não, né? Não importa o que as meninas da faculdade falam!
- Trói... ah, não. Desculpe novamente. Você não conhece Helena de Tróia?
- Já falei que não freqüento lugar assim.
- Tróia era uma lendária cidade grega. Mas isso não interessa. Fale-me de você.
- Cada esquisito que me aparece no ponto de ônibus... tio, eu tou ocupada, tá? Tou indo pra faculdade e o ônibus não chega. Você quer um trocado, é isso?
- Como? Insulta-me! Dinheiro! Pois, não me interessa seu dinheiro. Quero apenas travar conhecimento com sua pessoa.
- Ah, vá travar algum desocupado. Quer dinheiro pro busão fala logo, eu até dou. Mas não me enche.
- Com efeito, a juventude não tem mais respeito por nada! Não pode agora um homem de classe dirigir-se a uma bela dama quando a encontra?
- Conheço esse papo, nem vem. Você tá é querendo me engambelar pra eu te dar uns trocados. Pode parar. Eu já vi isso na TV!
- Como ousa!
- Quer um trocado ou não quer? Não vou oferecer de novo.
- Hummm... tá. Dá um troco pra passagem?
- Claro. Toma. Agora vê se não me enche, tio.
- Mas se quiser passar em casa para uma chávena, fica o meu convite.
- Ah, vê se me esquece.

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